Exercício físico na maturidade

Você se aposentou, e quer recuperar o tempo perdido e ser novamente o super-homem? Aí vem a dúvida:

“Uma pessoa de 65 anos saudável pode ser atleta e fazer esportes competitivos?” Sim, pode. Mas você precisa ser avaliado antes.

A atividade física e o envelhecimento estão mais ligados do que normalmente se imagina. Exercícios regulares reduzem os riscos cardiovasculares, reduzem a obesidade, facilitam o controle glicêmico, melhoram o perfil lipídico, ajudam no controle da hipertensão arterial, na prevenção da osteoporose, também influenciam o status cognitivo e psicossocial do idoso.

As pessoas idosas praticam exercícios para se manterem saudáveis, mas também para se divertirem, pertencerem a um time, a uma comunidade, para viajarem, para terem um propósito, para uma experiência de um envelhecimento positivo.

Estudos recentes afirmam que o inverso também é verdadeiro: ter saúde nos permite encontrar com mais facilidade um propósito na vida e a nos engajar com mais assiduidade às atividades físicas.

Com tantas vantagens à vista, dá vontade de começar os treinos agora! Os 60 anos serão os novos 40!! Mas… nem tudo está pronto para seu workout!

Pode haver um perigo escondido dentro da atividade física! Um inimigo mortal que muitas vezes não dá sintomas prévios e que durante um esforço extenuante pode ser catastrófico e causar a morte súbita nestes atletas máster: a doença coronária. Ela é mais frequente no idoso (competitivo ou não).

Antes de treinar, deve-se fazer uma avaliação individualizada que considere o tipo de esporte, a frequência dos treinos, a duração do esforço e o grau de competitividade, além das condições de saúde de cada indivíduo.

Pratique esportes e tenha uma velhice divertida, ativa, competitiva, ganhe medalhas, mas antes faça uma avaliação com seu médico. Se você estiver com 65 anos ou mais e for  saudável, poderá ser atleta e fazer esportes competitivos. Assim, você ganha e a torcida também! Um super-homem para o que é importante para você.

  1. Braber TL, Mosterd A, Prakken NH, Rienks R, Nathoe HM, Mali WP, Doevendans PA, Backx FJ, Bots ML, Grobbee DE, Velthuis BK. Occult coronary artery disease in middle-aged sportsmen with a low cardiovascular risk score: The Measuring Athlete’s Risk of Cardiovascular Events (MARC) study. Eur J Prev Cardiol. 2016;23:1677-84.
  2. Merghani A, Maestrini V, Rosmini S, Cox AT, Dhutia H, Bastiaenan R, David S, Yeo TJ, Narain R, Malhotra A, Papadakis M, Wilson MG, Tome M, AlFakih K, Moon JC, Sharma S. Prevalence of Subclinical Coronary Artery Disease in Masters Endurance Athletes With a Low Atherosclerotic Risk Profile. Circulation. 2017;136:126-37.
  3. Pelliccia A, Sharma S, Gati S, Bäck M, Börjesson M, Caselli S, Collet JP, Corrado D, Drezner JA, Halle M, Hansen D, Heidbuchel H, Myers J, Niebauer J, Papadakis M, Piepoli MF, Prescott E, Roos-Hesselink JW, Graham Stuart A, Taylor RS, Thompson PD, Tiberi M, Vanhees L, Wilhelm M; ESC Scientific Document Group. 2020 ESC Guidelines on sports cardiology and exercise in patients with cardiovascular disease: The Task Force on sports cardiology and exercise in patients with cardiovascular disease of the European Society of Cardiology (ESC). Eur Heart J. 2021;42:17-96.
  4. Jenkin CR, Eime RM, Westerbeek H, van Uffelen JGZ. Sport for Adults Aged 50+ Years: Participation Benefits and Barriers. J Aging Phys Act. 2018;26:363-71.