
Você gosta de praticar exercícios? Quer recuperar ou explorar ao máximo sua capacidade cardiopulmonar? Vamos vencer os limites?

Você tem se disciplinado a manter a forma, mesmo com as academias fechadas no período mais crítico da pandemia. Está focado nas planilhas de treino. Nada como acordar cedo, amarrar seu tênis e sair pelas ruas da cidade, correndo, ouvindo sua playlist preferida. Será que você está dando seu máximo? O quanto você pode melhorar? Que tal vencer seus limites?
E se, no seu caso, você nunca tiver treinado, mas agora estiver determinado a adotar um estilo de vido saudável, ativo. Começou com uma caminhada. Como aumentar a intensidade da atividade física? Será que poderia correr? Mas qual é seu limite?
E se, você teve um infarto do miocárdio há algum tempo, ficou com uma insuficiência cardíaca, será que pode praticar exercícios, correr?
Vamos vencer os limites! Push your limits!
Um teste ergoespirométrico (ou teste cardiopulmonar) pode ajudar nestas decisões.
Primeiramente, vamos entender um pouquinho da fisiologia do exercício.

Durante o exercício, há aumento da frequência cardíaca, aumento do volume de sangue bombeado pelo coração, maior perfusão do sangue pelos vasos sanguíneos que irrigam a musculatura, aumento da pressão arterial, maior volume de ar é inspirado pelos pulmões, mais sangue passa pelo sistema vascular pulmonar, mais sangue retorna ao coração para a próxima bombeada.
Mas qual é o limite deste sistema? Até onde podemos estressar nosso sistema cardiovascular?
A capacidade de pico de exercício é a habilidade máxima do sistema cardiovascular entregar oxigênio ao sistema muscular em exercício e a do músculo extrair oxigênio do sangue. Ou seja, define a capacidade máxima de uma pessoa respirar oxigênio, transportá-lo aos músculos e utilizá-lo na produção de energia. É a capacidade aeróbica desta pessoa.
Assim, a tolerância ao exercício é determinada pela:
- Troca gasosa pelo pulmão,
- Performance cardiovascular
- Metabolismo muscular
Quando estamos próximos do limite do funcionamento dessa complexa máquina, atingimos um platô.
Essa capacidade pode ser medida pelo ergoespirométrico. Este é um exame que pode ser realizado em esteira ou em bicicleta no qual além de monitorização do traçado eletrocardiográfico e da pressão arterial da pessoa, também se mede os gases inalados e exalados e deste modo pode-se calcular o quanto de oxigênio está sendo consumido pelo exercício. Mede-se também o fluxo do ar e o volume inspirado.
A captura do oxigênio pelos tecidos musculares depende de fatores genéticos, da quantidade de massa muscular, do sexo, da idade da pessoa, e claro, da intensidade do exercício.
O consumo basal de oxigênio é de 3,5 ml/kg/min. Com o exercício, um atleta pode aumentar 20 vezes esse consumo, chegando a 70-80 ml/kg/min.

Há intolerância ao exercício quando o consumo de oxigênio máximo é anormalmente baixo. Isso pode ocorrer por dificuldade de se aumentar a frequência cardíaca, ou de se aumentar o volume bombeado pelo coração, ou dificuldade nas trocas gasosas nos pulmões. Isso ocorre nas insuficiências cardíacas, nas doenças pulmonares, ou na presença de afecções hematológicas e musculares que dificultem a captura do oxigênio pelos tecidos.
No início do exercício, o metabolismo muscular é predominantemente aeróbico. A ventilação aumenta na mesma proporção que o consumo de oxigênio e produção de CO2 pelas células. Na segunda metade do exercício, o metabolismo muda para anaeróbico, porque o suprimento de oxigênio passa a ser insuficiente em relação a necessidade energética muscular. Há produção de ácido lático nestas condições.
Assim, o teste ergoespirométrico pode servir para estipular metas mais ousadas de treino para uma pessoa já condicionada, mas principalmente é usado para orientar a resposta ao tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca e sua reabilitação. Pode também ajudar a diferenciar intolerância ao exercício por motivos cardíacos ou pulmonares, quando essa incapacidade não está bem definida.
Não deve ser realizado logo após um infarto, ou na vigência de dor no peito, ou de arritmias não controladas.
Se você fizer exercícios regularmente, você se sentirá mais vitalizado, com a maior oxigenação do cérebro, terá mais força muscular com hipertrofia das fibras e aumento das mitocôndrias (estrutura celular que converte carboidratos, lipídios e proteínas em energia), aumentará a densidade de cálcio de seus ossos, tornando-os mais resistentes, e ampliará sua capacidade funcional cardiopulmonar. Pessoas normais em bom ritmo de treino aumentam 25% de seu consumo de oxigênio nos testes cardiopulmonares em 9 meses. Veja o que acontece com seu corpo se você se exercitar regularmete.
Para concluirmos nossa conversa, se você é atleta e quer vencer seus limites e saber se seu treino está te levando a superação, ou se você é um paciente em reabilitação cardiovascular num pós infarto e quer melhorar sua capacidade funcional e qualidade de vida, consulte seu cardiologista para avaliar o benefício de realizar o teste ergoespirométrico (ou teste cardiopulmonar).

Para saber mais:
1.Heart. 2007 Oct; 93(10): 1285–1292. doi: 10.1136/hrt.2007.121558
